domingo, 4 de julho de 2010

O Meu Relogio de bolso....

Vou Escrever, vou escrever, tudo o que tinha pra falar, pois minha garganta secou e as cordas vocais engalfinhou, tentar falar as vezes é tão difícil, olho para o lado vejo tudo que tenho que me conformar e ficar quieto para não magoar, sim, não magoar, ele, você, nós, todos, apenas tempos verbais, olho as horas em meu relógio de bolso o mais engraçado é que ele está parado no número 8, sendo que as 8 já passaram a muito tempo, sendo da manhã ou da noite, escuto o portão se abrir, seja ele da sabedoria ou aqui de casa, o motor de carro a partir, tantos barulhos, não consigo o silêncio, o barulho me persegue, deve ser por isso que parei de falar, paro de pronunciar, talvez minha vida esteja parada, nula igual ao numero 8 no meu relógio, vejo uma prateleira cheia de livros lidos, marcados e consumido pelos cupins, escuto brigas, por isso que parei de falar, escrever é melhor, a solução abrir a chave do meu portão, tanto ele de casa do coração, não é o romance que me cativa, talvez porque ele não habita mais aqui, eu preciso do silêncio, apenas o som das águas passando pela encanação, silêncio, silêncio, apenas um disco que você não quer mais ouvir, tão enjoado disso tudo, loop, talvez eu não queira o silêncio, talvez apenas queira falar, mas não tem como, a conformidade não me deixa cometer ruídos, então continuo aqui, sem falar, olhando para o meu relógio sem ver os ponteiros rolar.